A beleza de ter existido
- Capivara Escritora
- 5 de jul.
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de jul.
Um tributo silencioso à presença que permanece na lembrança
Viver é atravessar o tempo com o corpo.
É deixar pegadas invisíveis nos lugares por onde se passa.
É construir rotinas, vínculos, hábitos.
É, muitas vezes, não saber que se está deixando marcas — num vizinho de porta, num gesto casual, num olhar gentil.
Quem viveu sabe: a beleza não está só nos grandes feitos, mas principalmente nos pequenos — como na gentileza de segurar a porta do elevador para alguém entrar.
Viver é um acúmulo de presenças. De escolhas pequenas que, somadas, compõem a história de uma pessoa. Uma história única, mesmo quando silenciosa. E por isso mesmo: bela.
Mas chega um momento em que o corpo para.
E quem fica sente o vazio. A rotina estranha, o corredor mais quieto, o mundo com uma ausência a mais.
Para quem continua, resta o eco. As lembranças que aparecem quando menos se espera. As imagens guardadas na memória. A vontade de ter dito mais uma coisa. O desejo de ter ficado mais um pouco.
E, mesmo com a dor da perda, há algo que permanece: o consolo de saber que aquela vida existiu.
Nos últimos tempos, o prédio ficou mais silencioso. Perdemos pessoas que, de diferentes maneiras, fizeram parte da história deste lugar.
Cada morador atravessa esse momento à sua forma — com a fé que tiver, com o tempo que precisar.
Mas há algo que nos une: o pesar. E a reflexão inevitável sobre a própria existência.
Alguns tinham convivência próxima; outros, nem tanto. Mas quem habita o mesmo espaço compartilha mais do que paredes: compartilha memórias, gestos e uma sensação de pertencimento.
É difícil falar sobre a morte. Mas é bonito reconhecer que, por um tempo, caminhamos juntos. E que a convivência — mesmo quando breve — deixa marcas.
Há algo de profundamente valioso no simples fato de alguém ter existido. De ter vivido seus dias, feito parte de rotinas, deixado lembranças e legados.
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Edição Especial nº 1/1 - Julho 2025
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